[Company Logo Image]

Home Up curriculum Mapa do site

Sismo

 

 

Contra capa 5

 


 

MINHA TERRA

 

Tudo em ti é diferente, 

agora

ó minha terra,

 

o verde contínua,

e o mar também,

a lava negra

e o cantar dos pássaros.

 

Agora 

ó minha terra, 

juntei-lhe o medo.

 

 


 

 

O QUE SOMOS

 

 

Sempre pobres fomos,

sempre sonhamos com mundos grandes,

sempre embarcamos em busca do novo,

sempre rezamos e fomos castigados,

sempre esperámos pelo Céu longínquo,

sempre fugimos dos infernos dos nossos medos,

agora...

caímos na realidade onde vivemos.

 

 


 

 

A NOSSA SINA

 

 

Hortênsias, e mais hortênsias,

lágrimas perdidas

em cima de lava derramadas,

de quem prefere nada mais ver

do que o pé de funcho do seu quintal,

onde a esperança morre,

no futuro dos filhos.

 

 


 

 

OS PIRATAS

 

 

Em tempos,

os piratas tudo roubavam:

— Às donzelas sua virgindade.

— Aos homens seu trabalho.

— Às mulheres sua fidelidade.

 

Para todos defender,

as Santas padroeiras saiam das Igrejas

e segundo se prega,

muitas batalhas foram ganhas

e muitas mortes evitadas,

apenas pela presença ,

da Santa da aldeia.

e segundo os manuais da história açoriana,

não há registo qualquer baixa entre as Santas.

 

Mas em terramotos e vulcões, 

da protecção padroeira nada se reza na história.

 


 

 

VULCÃO

 

 

Dormindo sobre um vulcão,

espero que ele também durma comigo

e se algum dia acordar,

não terei medo da sua fúria,

pois não é por minha culpa,

minha tão grande culpa,

que tudo acontece.

 

Mas estou descansado,

pois,

tudo estar preparado,

o padre falado,

a água benta em lugar seguro,

para a bênção ser dada

e a fúria acalmada.

 

 


 

 

CONFERÊNCIA

 

 

Sinto-me estúpido,

por tanta sabedoria,

em conferência proferida.

 

Pois

todas as guerras, todas as mortes,

todos os terramotos e restantes vulcões,

nada mais são,

que castigos divinos,

por não se ter dado ouvidos,

de oferecer à mãe, 

o mundo.

 

Coitada da minha mãe, para que precisaria do mundo?

 

 


 

 

O MEDO

 

 

Acordei sobressaltado...

 

O mundo desabava sobre a nossa cabeça.

 

O medo acorrentou-nos à vida

onde todos fomos devorados,

pela fúria cega e estúpida,

do paraíso onde nós teimosamente,

queremos continuar,

com esperança.

 

 


 

 

SISMO

 

 

Pedras caem 

como areias sopradas pelo vento.

Acordámos vendo as estrelas

e o estrebuchar da terra.

 

Não percebendo o que se passava,

corremos para a rua,

lá não ouvimos o vento,

mas o ruído do fim do mundo.

 

Se a terra é mãe,

que mal lhe fizemos,

para  de seu peito nos tirar.

 

 


 

 

PROFECIA

 

Finalmente, cumpre-se a profecia.

 

qual?...

- A que teremos de tremer sempre,

até ao fim do mundo.

 

 


 

 

PRAIA

 

 

O problema principal:

- A praia foi interdita.

 

Ó blasfema, das blasfemas.

Ó crime dos crimes.

Ó irresponsabilidade total.

A praia foi interdita.

 

Que dirão os mortais?

A praia foi interdita….

 

Que nos resta depois de tal desgraça?

Sem praia a  esperança acabou.

 

 


 

 

O PINGO

 

 

O meu problema 

não é o sofrimento dos que sem nada ficaram,

não é a ausência das coisas que dão sentido a vida,

não são as vidas subterradas,

não é a destruição da minha terra,

o meu problema, o meu problema,

é a torneira da minha cozinha  estar pingando,

 

Cada um que se aguente com os seus,

o meu é o pingo da minha torneira.

 

 


 

 

TURISMO

 

 

A vida tem de continuar,

os turistas tem de chegar,

 

Só a irresponsabilidade dos governantes,

levados pelas palavras dos que sabem,

continuam a dizer,

que estamos em crise sísmica, 

qual crise?….

 

 


 

 

MEUS DIREITOS

 

 

Venho declarar que tenho os bens que tenho,

que vivo dos meus rendimentos,

o dinheiro levantei-o ontem,

o barco, o carro e a casa de campo,

são  necessários ao meu modo simples de viver.

 

Agora,

necessito de alimentos,

de roupa,

de casa,

e até de algum dinheiro,

pois sou tão sinistrado como os restantes.

 

Desconto os meus impostos,

tenho direitos.

 

Os outros …

sempre os  outros.

O meu problema 

é o meu,

ouviu bem.

 

Nisto de sacar algum,

sou um cidadão comum.

 

 


 

 

RECONSTRUÇÃO

 

 

Ruínas que foram casas,

pedras soltas,

tectos caídos,

tudo mais uma vez acontece,

 

 

Agora todos temos presa,

muita presa,

para  ao antes voltar,

pois nestes verdes campos,

onde

o cantar dos pássaros,

o gemer das ondas,

o escoar das lavas,

nos fazem companhia,

o que temos certo,

é tudo começar de novo algum dia.

 

 


                                      

 

Send mail to MartinsSoares@live.com.pt with questions or comments about this web site.